2003-05-29

Carrefour do Baixo Alentejo
O Centro de Informação e Animação Rural do Baixo Alentejo (Carrefour do Baixo Alentejo) foi criado em 1996 através de uma iniciativa da Associação de Defesa do Património de Mértola (Entidade Hospedeira) em parceira com a Comissão Europeia, pretendendo cumprir os seguintes objectivos:
· Fornecer informação geral sobre a União Europeia, suas instituições e políticas;
· Informar e promover a participação em programas da União Europeia que tenham impacto na vida rural;
· Facilitar e estimular o diálogo e a cooperação entre os vários actores chave na vida social e económica da sociedade rural;
· Facilitar a troca de informação e experiências entre as várias áreas rurais dentro da Comunidade;
· Promover a comunicação entre as áreas rurais e a Comunidade.
Actualmente o Carrefour do Baixo Alentejo, desenvolve as seguintes actividades e prespa os seguintes serviços:
· Centro de Documentação
· Edição/distribuição do boletim electrónico: Carrefour News;
· Distribuição gratuita de publicações;
· Divulgação das iniciativas comunitárias;
· Acesso gratuito à internet.
· Apoio aos estabelecimentos de ensino na implementação de acções de informação/formação sobre a União Europeia;
· Acções de sensibilização/informação sobre o Alargamento da União Europeia;
· Comemorações do Dia da Europa;

2003-05-07

Cooperativa Oficina de Tecelagem. Um caso de sucesso.

No início da década de 80, foi efectuado um estudo sobre a Tecelagem tradicional no concelho de Mértola. Este trabalho foi editado com o título “Mantas Tradicionais do Baixo Alentejo”, uma edição do Campo Arqueológico de Mértola datada de 1984.
O resultado deste trabalho demonstrou a importância desta actividade já secular nesta região, gestos ancestrais, transmitidos de geração em geração, que fazem reviver antigos saberes.
Apesar disso, era notória a decadência que a arte de tecer apresentava, aquando da elaboração do estudo, estando moribunda e enfrentando a extinção.
Assim, detectados os problemas e tendo em conta a importância cultural desta actividade, foram implementadas medidas para a sua recuperação. Surgem, então, em 1984 e 85 os dois primeiros cursos de tecelagem, promovidos pela ADPM, tendo sido criada a Escola Oficina de Tecelagem de Mértola.
Após o sucesso obtido com estas acções de formação, em 1986, a Escola Oficina de Mértola transforma-se em Cooperativa Oficina de Mértola.
Esta estrutura passou pela implementação de uma rede de artesãos (incluindo cardadores e fiadeiras) por todo o concelho, no qual os materiais utilizados no processo de produção da Cooperativa são produzidos neste circuito interno, ocorrendo a tecelagem na Oficina situada em Mértola que inclui o circuito turístico desta Vila Museu.
Recentemente, foi criado um núcleo museológico na sede da Cooperativa onde se podem encontrar os variadíssimos utensílios utilizados nesta actividade e algumas peças de tecelagem antigas em exposição.
Fazer reviver antigos saberes
Associação de Defesa do Património de Mértola

No passado ano 2000 a Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM) comemorou o seu vigésimo aniversário.
Património, Cultura, Dignidade e Futuro, são as palavras que integram princípios e valores que sempre têm acompanhado e continuam a orientar a intervenção da ADPM, enquanto processo indutor de mudanças imprescindíveis à inovação e desenvolvimento de recursos, numa constante preocupação da melhoria das condições de vida nesta área escassamente povoada, com um tecido económico debilitado, uma população envelhecida e com um património ambiental, histórico, arqueológico e etnográfico de destaque.
Da necessidade de intervir em diferentes sectores que se consideram essenciais no processo de desenvolvimento desta região foram-se definindo campos de trabalho diversificados que conseguiram aglutinar os esforços de uma equipa multidisciplinar a trabalhar num projecto colectivo nas áreas do ambiente e educação ambiental, do turismo, do desenvolvimento, da formação profissional e do apoio psicossocial.
Preservar um património cultural popular é compreender os mecanismos que ao longo dos séculos permitiram perpetuar saberes e costumes que asseguraram a subsistência de pequenas comunidades que têm resistido dignamente ao fenómeno da globalização.
Assim, no concelho de Mértola, as actividades tradicionais constituíram, desde sempre uma parte da economia local, expressando um conhecimento profundo do meio e a rentabilização das suas potencialidades.
Do equilíbrio natural e do saber humano nascem produtos e objectos que ocupam um lugar de destaque na história da região e enriquecem o património cultural das gentes de Mértola.
Actualmente, a própria transformação da sociedade rural, o envelhecimento dos detentores de saberes e a falta de motivação por parte dos mais jovens têm vindo, gradualmente, a pôr em perigo a sua existência.
Em nosso entender, a valorização e revitalização do artesanato e das produções locais, através da implementação de uma estratégia de desenvolvimento integrado, podem contribuir significativamente para a melhoria do mundo rural, complementando a agricultura, incentivando a actividade turística e reforçando a identidade cultural de um território.
Assim, analisando todos os factores que se relacionam com o artesanato e as produções deste concelho, a ADPM (em colaboração com outras entidades) vem desenvolvendo ao longo dos últimos anos um trabalho integrado de revitalização das actividades artesanais locais.
O planeamento de acções de formação em áreas como a tecelagem, a ourivesaria, a olaria/cerâmica islâmica, a cestaria, o fabrico de cadeiras, a costura, a construção em taipa, entre outras, são precisamente fruto de diagnósticos elaborados pela ADPM, ao longo dos anos, e que determinam a necessidade de intervenção nestas áreas.
É prestado, ainda, apoio à actividade no sentido de procurar assegurar o êxito da formação profissional ao nível da inserção de alguns formandos no mercado de trabalho, nomeadamente através do desenvolvimento e implementação de um projecto realista de criação de um micro ou pequeno negócio, contribuindo assim para o rejuvenescimento dessas mesmas actividades bem como para o enriquecimento e a diversidade do tecido socio-económico deste concelho e da região.
Os artesãos são ainda apoiados, de forma indirecta, através da promoção dos seus produtos a nível local, regional, nacional e mesmo transnacional. Isto, por um lado, através da participação em feiras e outros eventos e, por outro lado, através da concepção, edição e distribuição de materiais de promoção dos produtos artesanais, tais como desdobráveis, brochuras, filmes, etc..
Todo este trabalho em prole do artesanato local, passa, como atrás foi referido, num trabalho contínuo (ao longo das duas últimas décadas) bem como das parcerias criadas com entidades locais e regionais no sentido de preservar uma cultura muito própria e que torna o concelho de Mértola num local único e simultaneamente inovador em termos culturais.

2003-04-23

Feira do Mel, Queijo e Pão
Mértola de 25, 26 e 27 de Abril de 2003

Parece que foi ontem, mas já aí está mais uma edição da Feira do Mel, Queijo e Pão, que decorrerá nos dias 25, 26 e 27 de Abril de 2003 na vila de Mértola.
No passado ano esta iniciativa, foi ponto de encontro para mais de 10.000 visitantes, pessoas provenientes de vários pontos do país
Esta é uma feira temática que tem vindo a ser desenvolvida em Mértola, desde 1999, pela Câmara Municipal de Mértola e a Associação de Defesa do Património de Mértola com o objectivo de promover e revitalizar as artes e ofícios tradicionais do concelho de Mértola. Uma iniciativa que, de ano para ano, tem vindo a crescer em termos de duração, do número de expositores, da diversidade de produtos expostos e do próprio número de visitantes. Um crescimento feito pouco a pouco, mas de forma harmoniosa, de modo a nunca perder as suas raízes tradicionais, e tendo sempre presente um verdadeiro desenvolvimento sustentável da região.
Assim, mais uma vez, a V Feira do Mel, Queijo e Pão é promovida pela Câmara Municipal de Mértola estando a organização, a cargo da ADPM. Tal como no ano anterior, contará com o apoio e a participação da Mancomunidad Beturia, reforçando os laços de amizade e cooperação entre as duas regiões.
Um certame onde durante três dias o visitante terá a oportunidade de (re)encontrar os saberes e sabores que desde há muito caracterizam esta região, deleitando-se com o famoso pão caseiro e o mel de rosmaninho, o queijo de cabra e de ovelha, os enchidos, as plantas e os chás aromáticos, o sabor de apurados licores e doces tradicionais... sem esquecer o artesanato tradicional, que se fez representar por artesãos provenientes de várias regiões como forma de diversificar as actividades tradicionais. Tudo isto acompanhado da boa música tradicional que se faz ouvir pelos grupos “Os Alentejanos”, “Os Marafados do Fole”, “Modas à Margem do Tempo”, “Rancho Folclórico Sanbrasense”, “Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sôr”, “Terra D’Alva”, os Grupos Corais, e ainda a animação de rua a cargo dos “Marimbondos” e da “Escola Bento de Jesus Caraça – Delegação de Mértola”.

2003-04-04

FESTIVAL DO PEIXE DO RIO

Mais do que uma simples mostra gastronómica, o Festival do Peixe do Rio foi um espaço de animação e convívio entre as gentes, o rio e onde as actividades tradicionais marcaram presença.

Por Ricardo Rosa

A primeira edição do Festival do Peixe do Rio decorreu na aldeia de Pomarão, no concelho de Mértola, durante os dias 22 e 23 de Fevereiro. Esta iniciativa foi promovida pela Câmara Municipal de Mértola e que contou com a visita de alguns milhares de curiosos.

Toda esta iniciativa procurou dinamizar e valorizar a pesca tradicional do Rio Guadiana. Esta actividade é praticada desde tempos imemoriais, em pequenas comunidades, como é o exemplo de Pomarão, contando com um elevado número de praticantes, ainda em meados do século passado os pescadores, neste concelho, eram quase mais 100. Hoje é uma actividade em regressão e contam-se os resistentes quase pelos dedos de uma mão.

No entanto, este evento foi mais do que uma simples mostra gastronómica, o Festival do Peixe do Rio foi um espaço de animação e convívio entre as gentes, o rio e onde as actividades tradicionais também marcaram presença.

Assim, os visitantes para além de procurarem os petiscos (leia-se: verdadeiras iguarias) como a lampreia com arroz, as enguias (conhecidas localmente por irozinhas) fritas, o muge frito e o barbo de caldeirada, cozinhados mesmo ali, nas tasquinhas montadas para a ocasião.

A Animação também não faltou. Do programa constaram os cantes alentejanos, o acordeon e as harmónicas, interpretados por artistas da terra. Como convidados vieram os Adiafa e um grupo de flamengo.
Para além disso, durante o festival, foi possível efectuar passeios de barco, assistir ou participar, em algumas actividades lúdico/desportivas (realizou-se o 1º Trofeu FESTIVAL do Peixe do Rio em canoagem, um concurso de pesca e um passeio pedestre “Na rota do minério”).

Ainda durante este fim-de-semana, decorreu o colóquio “Baixo Guadiana Que Futuro”.